terça-feira, 17 de março de 2009

Imigrantes (3ª Parte)

IMIGRANTES FRANCESES
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A França trouxe uma contribuição decisiva para a formação da imagem que a sociedade brasileira construiu de si mesma ao longo da sua história.
Os imigrantes que aqui chegaram, eram na maioria agricultores, que com a expropriação que ocorria na Europa, naquele período, viam-se obrigados a deixar sua terra natal em busca de oportunidades. Aproveitando o incentivo do governo, migraram para o Brasil, instalaram-se em colônias e desenvolveram suas modernas técnicas de produção.
A Imigração
Os primeiros imigrantes franceses chegaram ao Brasil na segunda metade do século XIX, não há registros precisos da data de chegada, dirigiram-se para a colônia de Benevides, numa área de 195 km, na região metropolitana de Belém do Pará.
Mesmo com alguma oposição a imigração européia continuou. Em 7 de julho de 1873, o governo imperial concedeu 6 léguas de terras na estrada de Bragança para concessão de lotes de terra aos imigrantes franceses.
No Brasil, a maioria da imigração envolveu uma população expropriada e empobrecida. No caso dos imigrantes franceses, as famílias tinham um bom padrão de vida, viviam da agricultura e da produção de vinho.
No sul do país, a vinda de frades franceses tem início no século XIX, quando o Bispo Don Claúdio José Gonçalves Ponce de Leão solicitou ao General dos Capuchinhos, em 30 de julho de 1893, a vinda de frades para atender as comunidades católicas formadas por imigrantes italianos e alemães recém chegados ao país. A missão que se transferiu para o sul do país era formada por professores e estudantes de Filosofia e Teologia.
A contribuição francesa
Foi o francês Amadeo Gustavo Gastal que, em 1878, introduziu no sul do Brasil a produção de pêssego. Utilizando equipamento importado, ele elaborou as primeiras compotas da fruta, em seu estabelecimento, chamado Bruyères. Os primeiros pomares surgiram nessa época. Atualmente, o Estado do Rio Grande do Sul lidera a produção nacional de pêssegos, reunindo mais de 400 famílias que se dedicam ao cultivo da fruta.
Em Rio Grande uma das mais significativas contribuições dos franceses foi a realização das obras de melhoramento da Barra e construção do porto. As operações desenvolvidas pela “Compagnie Française du Port de Rio Grande do Sul”, que tiveram início em 1908 tinha como responsável o engenheiro francês Quellenec, especialista em obras marítimas.
O consórcio para a execução das obras era formado por três grandes construtoras – Daydê & Pillé, Fougerole Frères e Groseleier – também com sede em Paris. O financiamento da Société Générale de Construction foi assegurado pelo Banque de Paris et des Pays-Bas. O projeto na época, na opinião de entendidos, só encontrava smile nas gigantescas obras de abertura do Canal do Panamá.
Em 1º de março de 1915, as 17h e 30min, o navio-escola BENJAMIN CONSTANT, da armada nacional, calando 6,35m, transpôs a barra e, as 18h e 30min atracou no cais do novo porto do Rio Grande. Foi um dia de grande júbilo para os rio-grandinos e notadamente para os dirigentes e auxiliares da C.O Francesa e da empresa construtora das grandiosas obras, que vinham, assim, confirmar o êxito de seus esforços, na grande luta travada para a abertura da barra.
Em 15 de novembro de 1915, autorizada pelo Governo Federal, a C.O Francesa inaugurou o primeiro trecho de 500 metros de cais do Novo Porto, compreendendo 3 armazéns para mercadorias, servidos por guindastes elétricos, um depósito para carvão, servido por dois transbordadores elétricos, linhas férreas, etc.
O Porto do Rio Grande é hoje o escoadouro natural das riquezas do estado e do país, e a porta de entrada dos bens e insumo necessários ao desenvolvimento. Único porto marítimo do estado, o Porto do Rio Grande é definido como o principal pólo do Corredor de Exportação do Extremo Sul.
Cultura
A França sempre foi vista como o país da cultura, da boa música, do requinte de sua culinária, do ensino de qualidade e dos hábitos e costumes refinados.
Em Rio Grande uma das mais expressivas contribuições francesas podem ser acompanhadas através da educação, quando os Irmãos Maristas chegaram a cidade, por volta de 1913 e assumiram as instalações do antigo Colégio Sagrado Coração de Jesus, hoje Colégio São Francisco, que era mantido pelos Padres Jesuítas e que havia encerrado suas atividades em 1913 com 140 alunos matriculados.
As educação Marista é uma proposta herdada do francês, São Marcelino Champagnat, cuja filosofia está voltada para a formação integral do cidadão, alicerçada nos valores da amizade, do respeito, da solidariedade e do crescimento espiritual. E como missão: fé, cultura e vida à luz do evangelho.
Culinária
A cozinha francesa é considerada a de estilo mais elegante e refinado do mundo. As técnicas francesas de cozinhar tem exercido grande influência em quase toda a culinária ocidental. Quase todas as escolas de culinária usam a cozinha francesa como base.
A cozinha francesa pode ser dividida em: Cuisine du terroir; Cuisine nouvelle e
Cozinha burguesa.
A cozinha burguesa inclui todos os partos clássicos franceses que foram adaptados ao longo dos anos, para atender ao gosto mais refinado. Inclui molhos ricos à base de creme e algumas técnicas complexas de cozinhar.
A cuisine du terroir cobre as especialidades regionais com foco forte nos produtos de qualidades locais e na tradição camponesa.
A cuisine nouvelle caracteriza-se por pratos preparados em menor tempo, menor porção, além de serem mais leves e apresentados de forma refinada e decorativa.

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